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Cresce a venda de seguros contra erros profissionais
Seguros contra erros e omissões no exercício profissional fazem parte da realidade de médicos, engenheiros e advogados brasileiros há muito tempo, mas a contratação desse tipo de produto com especificidades para o segmento executivo é relativamente recentCresce a venda de seguros contra erros profissionais
por Valéria Ignácio
Seguros contra erros e omissões no exercício profissional fazem parte da realidade de médicos, engenheiros e advogados brasileiros há muito tempo, mas a contratação desse tipo de produto com especificidades para o segmento executivo é relativamente recente. No Brasil, as primeiras apólices do chamado D&O, sigla em inglês para Directors and Officers Liability Insurance, começaram a surgir em 1999, por iniciativa de multinacionais.
A partir de 2003, com a entrada em vigor do novo Código Civil e a possibilidade de transferência de responsabilidades das empresas para seus executivos, essa modalidade de seguro ganhou força. “O espectro e o potencial de reclamações aumentou muito e as empresas começaram a ter um novo olhar para o fato, com o objetivo de não deixar seus executivos na mão”, afirma o diretor de Grandes Riscos da Allianz Seguros, Ângelo Colombo.
Basta uma breve pesquisa no noticiário econômico recente para validar a afirmação de que decisões empresariais envolvem riscos e, se não forem acertadas, podem provocar perdas para a empresa e prejuízos para terceiros. Em última instância, pode sobrar para o executivo a responsabilidade pelo pagamento da conta.
Por isso, no entendimento do diretor da Allianz, o Directors & Officers tornou-se um diferencial competitivo nos processos de recrutamento, por garantir tranqüilidade para os executivos. Esse seguro, explica, veio preencher uma lacuna no mercado brasileiro, já que, na Europa e Estados Unidos, sua contratação é prática comum há mais de duas décadas.
Com o D&O, gerentes, diretores, administradores e conselheiros, assim como a própria empresa, estão protegidos em casos de suspeitas de sonegação fiscal, reclamações trabalhistas, e ações judiciais por reparação financeira de danos movidas por fornecedores e acionistas. Evita-se, assim, que o gestor, na responsabilidade solitária, responda pelos prejuízos usando seu patrimônio pessoal.
Mercado incipiente e promissor
Segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o faturamento do setor brasileiro de seguros de responsabilidade civil voltado para executivos ficou próximo de R$ 100 milhões em 2007, com crescimento de 9,2%. Com a permissão para todas as seguradoras interessadas comercializarem o produto, ocorreu uma redução de preços e o D&O começou a integrar a demanda também de empresas de médio e pequeno porte, afirma Colombo.
A legislação determina que a contratação do D&O só pode ser feita pelas empresas e as bases para cálculo do valor das apólices orientam-se pela exposição da organização no mercado e níveis de reclamação, além de faturamento, presença de ações em bolsas de valores e perfil de exportação. “Hoje, com os preços mais baixos devido à concorrência entre as seguradoras, a maior barreira para a contratação ainda é o desconhecimento”, diz o diretor da Allianz.
Ele acredita que a crise econômica mundial irá impactar o desempenho do produto no Brasil, o que pode provocar um aumento no valor dos contratos, que hoje variam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil anuais para faturamentos de aproximadamente R$ 10 milhões, e uma redução no número de apólices. Entretanto, sugere Colombo, como o início do ano trará a publicação de muitos balanços de empresas, eventuais alavancagens financeiras conduzidas de forma equivocada podem levar acionistas à responsabilização judicial de organizações e executivos. E esse cenário deve levar muitas organizações a repensarem seus projetos de seguros.
Fonte: www.canalrh.com.br